Olhar atento (blog de Patrícia Diguê)


Too late

- Voce e linda. Voce e... linda!

- Poxa, foi preciso a gente se separar pra voce me falar isso?

- Eu nunca te falei? Claro que falei.

SILENCIO

 



Escrito por Patrícia Diguê às 21h55
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Makes sense

Alem dos objetivos obveis de ter tomado a decisao de sair do pais, deixando emprego, familia, amigos etc, como estudar ingles, conhecer pessoas e lugares novos, existe um outro no campo mais existencial. Queria tambem fazer um balanco dos 33 anos da minha vida. Ter tempo para pensar em tudo, longe de tudo. Colocar em cheque dilemas como profissao, relacionamentos e meu papel no mundo e em relacao aos meus semelhantes. Ainda nao cheguei a muitas conclusoes, porque em um primeiro momento voce tem que se preocupar em sobreviver e se achar em um mundo estranho. Pouco antes de viajar, e ate hoje, tenho que responder perguntas relacionadas aos meus objetivos, com as quais ainda me atrapalho. Por que voce veio para Londres? Quanto tempo quer ficar? Por que voce nao esta trabalhando como jornalista aqui? O que quer fazer quando voltar para o Brasil? Por que voce escolheu Londres? Meio cansada de tanto responder estes questionamentos e tentando explicar para mim mesma o que estou vivendo, cheguei ontem a uma simples e ao mesmo tempo profunda explicacao. "Because it makes sense". Foi como a maca caindo na cabeca de Isaac Newton - sempre me refiro a esta lenda quando consigo finalmente terminar o processo de uma ideia. Assim como ele, eu descobri a "minha" lei da gravidade. O primeiro principio e: a vida precisa fazer sentido. Quando isso deixa de acontecer, e hora de mudar. Portanto, no momento, nao sei absolutamente nada sobre ontem, hoje nem amanha, apenas tudo esta fazendo sentido. Simples assim. Quando novamente deitar a cabeca no travesseiro e pensar "O que diabos estou fazendo aqui?", e que chegou a hora de um novo momento. Tudo isso para que, no fim, nao tenha que olhar para tras e dizer: "Minha vida nao tem nada a ver comigo". Pelo menos ja sei o que nao quero, o que ja e um primeiro passo.

Desculpem pela falta dos acentos e tambem pela ausencia. See you.



Escrito por Patrícia Diguê às 18h49
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Vou aparecer na telinha

Saindo de casa ontem, dei de cara com uma equipe da Record fazendo aqueles anuncios de lojas em uma especie de mercearia na esquina. Precisava carregar o meu cartao de transporte e passei por eles, quando acabei sendo "obrigada" a dar uma entrevistinha. Tive que falar que gostava de comprar frutas no "Seven Brothers", pertencente a uma familia de arabes. O negocio quase nunca fecha e eles se revezam no balcao. Acostumados com a clientela brasileira do bairro, sempre tem a disposicao produtos tipicos, como farinha de mandioca, sonho de valsa, cha mate, bolacha Bono, esmalte Risque, po Royal etc. Enfim, devo aparecer no anuncio por ai. O pior e que nem tenho televisao onde estou, enfim, no minimo, mais uma historia engracada para contar aqui e no balcao. Papo vai, papo vem, me chamaram para participar de um programa a la Serginho Groisman. Acho que minha funcao sera fazer perguntas para os convidados, seja la quem forem. Sabado estou la, macaqueando no auditorio. No minimo, outra historia bizarra para este diario virtual.



Escrito por Patrícia Diguê às 15h21
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Tentando ser mais green

Desde que cheguei por aqui, tenho reparado na febre das green bags. Sao aquelas sacolas que tambem existem no Brasil para levar ao supermercado no lugar de usar as sacolinhas plasticas. Mas por ai sentia que era mais um fenomeno fashionista do que realmente de conscientizacao ambiental. Aqui senti uma mobilizacao maior, uma pressao mais contundente contra as sacolinhas. Claro que tambem existe o lado fashion. Vejo todos os dias as mulheres com suas sacolas de algodao ou outros tecidos naturais com mensagens do tipo "esta sacola e minha" circulando por ai. Mas gostei de ver que existe, principalmente, um esforco grande das redes de supermercado. Vou citar alguns exemplos. Em uma delas, chamada Netto (a brasilerada toda compra la, porque e mais em conta), nao existem sacolinhas. Se voce nao levou a sua de casa, precisa comprar (sao dois tamanhos e custam aproximadamente entre um e dois reais). Isso me obrigou a chegar em casa e guardar as benditas para nao ter que gastar de novo da proxima vez. Num dia que planejava passar no Netto ao voltar para casa a noite, lembrei de carrega-las dentro da minha bolsa. Em outra rede, Tesco, uma das maiores, existe uma especie de programa de pontos se voce reusa as sacolinhas, que podem ser revertidos em produtos. Uma vez que fui la, levei minha mochila para carregar minhas compras. Em algumas lojas, os caixas perguntam se voce quer uma "bag", nao vao colocando a mercadoria automaticamente em uma sacolinha, ai voce e obrigado a usar a sua bolsa mesmo. Eu estou tentando mudar aos poucos meu vicio pelas sacolas. Alem disso, de tanto ouvir campanha contra elas, da ate vergonha de andar por ai carregando um montao, me sinto meio criminosa, enquanto as "donas-de-casa verdes" desfilam orgulhosas com suas proprias fashion bags. Acho que, no Brasil, a mudanca deveria comecar tambem pelas redes. Cobrar pelas sacolas talvez encontrasse resistencia no inicio, mas fica aberto o debate e a sugestao.



Escrito por Patrícia Diguê às 15h12
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Alcool causa delays

Agora entendi porque ontem a noite havia tanta gente bebendo nas estacoes de metro e por que os trens estavam tao atrasados a noite. Quando voltava para casa, por volta da meia-noite, apressada para pegar o ultimo trem, acabei tendo de voltar de onibus, porque o ultimo foi cancelado. Cheguei a ver uns malucos cambaleando na estacao Great Portland Street. Pensei que se tratava de algum jogo de futebol, tamanha a empolgacao da galera. Mas tudo se deveu ao ultimo dia de permissao para se beber na rede de transporte da capital. O prefeito, recem-eleito, baniu o alcool a partir de hoje em metros e onibus. Achei uma boa atitude, os veiculos e trens ficam repletos de garrafas pelo chao nos finais de semana. A galera compra cerveja em supermercados e pega o transporte ja fazendo o "esquenta". So tenho duvidas se a medida vai funcionar tambem para reduzir o consumo. Alem desta providencia, comecaram campanhas nas televisoes e em outdoors alertando sobre o perigo de se beber tanto, trazendo a quantidade aceitavel por dia para homens e mulheres. O tabagismo tambem vem sendo combatido com rigor. Alem da proibicao no ano passado de fumar em locais fechados, sejam pubs, bares ou danceterias (para fumar, e preciso sair do ambiente, geralmente enfrentando frio e chuva), agora querem acabar com as caixas de 10 cigarros, mais baratas e mais acessiveis aos mais jovens. E tambem planejam banir as maquinas de cigarros, que podem ser vistas em todos os lugares.

Veja a noticia de hoje no site da BBC:

Uma das mais importantes estações de metrô de Londres, Liverpool Street, foi fechada neste sábado, depois que cerca de duas mil pessoas tomaram o local para beber no último dia antes da proibição do consumo de álcool na maior parte da rede de transporte da capital britânica. A proibição foi anunciada pelo novo prefeito de Londres, Boris Johnson, pouco depois de ele ter assumido o cargo, neste mês. Milhares de pessoas aproveitaram o último dia de legalização e foram às estações e trens degustar bebidas alcoólicas - e muitos acabaram se encontrando na estação Liverpool Street, que teve que ser fechada por estar superlotada. Em toda Londres, seis pessoas foram presas por estarem bêbadas e causarem problemas. Além de Liverpool Street, no centro financeiro da cidade, a estação de Baker Street e os trens da linha amarela também foram muito procurados pelos interessados em beber até o último minuto possível. A proibição no consumo de bebidas passa a valer neste domingo em toda a rede de metrô, ônibus e bondes de Londres. Também fica proibido carregar garrafas, latas ou outros objetos contendo bebida alcoólica se estiverem abertos. O prefeito alega que a proibição vai melhorar a segurança dos passageiros, mas sindicatos que representam os funcionários da rede de transportes dizem que fiscalizar a nova lei vai colocar em risco a segurança desses profissionais. Alguns dos participantes da "festa" deste sábado disseram estar protestando contra a proibição, mas muitos admitiram estarem apenas querendo beber e se divertir.

PS: desculpem novamente a falta e acentos (ainda estou usando PCs publicos) e fico devendo a historia das green bags.  



Escrito por Patrícia Diguê às 10h51
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Em breve: A febre das green bags... See you

Escrito por Patrícia Diguê às 08h18
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Life before death

"I want so very much to die. I want to become part of that vast extraordinary light. But dying is hard work"./"Death is nothing. I embrace death. It is not eternal. Afterwards, when we meet god, we become beautiful”./“I’m only 64. I shouldn’t be wasting away like this at that age”.

Uma das vantagens desta cidade e ter acesso gratuito a cultura. So nao se informa e busca conhecimento quem nao quer. Exposicoes, apresentacoes, bibliotecas etc, tem muita cultura de graca. Ontem, estava adiantada para um compromisso, vi um cartaz com a palavra "free" em frente a uma especie de museu da Medicina e resolvi entrar para passar o tempo. Acabei tendo momentos profundos de reflexao com a exposicao de fotos "Life Before Death". Um trabalho incrivel de uma jornalista chamada Beate Lakotta e o fotografo Walter Schels, que acompanharam 24 doentes terminais em suas ultimas semanas de vida. Eles fotografaram as pessoas em vida e registraram suas impressoes sobre o que significa a morte para elas. E depois tambem registraram seus rostos ja mortos. Parece morbido, mas pensar sobre a morte, nos faz dar muito mais valor ao que realmente tem valor em vida. Mas quem esta vivo, evita pensar e falar sobre isso, como disse um dos personagens da exposicao: "No one asks me how I feel, because they're all shit scared. I find it really upsetting the way they desperately avoid the subject, talking about all sorts of other things. Don't they get it? I'm going to die! That's all I think about, every second when I'm on my own". As frases acima sao fragmentos dos relatos de alguns deles. Emocionante. Quem quiser mais informacoes, o site e http://www.wellcomecollection.org/index.htm.



Escrito por Patrícia Diguê às 08h14
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Tulipas

Dear P.

Aquela praca esta diferente agora no verao. No lugar das grandes folhas de outono que escondiam todo o chao e davam abrigo aos esquilos, agora desabrochou uma grama verde e brilhante, onde as pessoas deitam para tomar sol. Em vez da paisagem marrom e fria, agora florescem tulipas e outras flores coloridas, alem de margaridinhas que se espalham como capim, dando pinceladas de branco em meio ao verde. As tulipas, em especial, tem poder enigmatico sobre mim. Sao de uma infinidade de cores. Existem ate umas roxas escuras, parecendo negras, ainda mais estonteantes. Passei por aquelas mesmas ruas e esquinas. Esta tudo igual, mas, com esta explosao de cores, andar por elas teria um colorido e um aroma especial. Best regards... P

  



Escrito por Patrícia Diguê às 07h50
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Sheikh Lula

Uma reportagem no The Guardian sexta-feira trouxe uma expressao que achei engracada, "sheikh Lula". Com o titulo "The country of the future finally arrives" (O Pais do futuro finalmente chega), a materia falava da estabilidade da economia brasileira, depois de anos de ditadura e de inflacao. Ainda mencionava a ascensao dos mais pobres a classe media, atribuindo como principal causa o aumento no consumo de commodities no mundo. E acabam chamando o Lula de sheik quando citam as novas descobertas de reservas de "oil" na costa do Rio de Janeiro, o que pode colocar o Brasil entre os principais produtores do mundo. Em tempo: a reportagem faz o devido contraponto de que o Pais ainda tem serios problemas de infra-estrutura, alem de deficiencias na formacao de mao-de-obra e na educacao em geral e tambem na area de saude. Quem quiser ler a materia completa, o link e: http://www.guardian.co.uk/world/2008/may/10/brazil.oil

 



Escrito por Patrícia Diguê às 07h38
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Haiku

The Park

A little child playing

It is the whole world for her

One corner to me 

 



Escrito por Patrícia Diguê às 07h28
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Descobri: sou addicted

Passados oito dias de vivencia do outro lado do Oceano Atlantico, descobri, entre outras coisas, que sou completamente dependente da internet. Nao fossem as lan houses, com certeza estaria internada em crise de abstinencia. Cada vez que quero resolver algo, comeco a roer as unhas e cocar a cabeca por nao ter o Google a mao, nem poder conseguir a informacao em algum www. E uma sensacao de estar excluida do que realmente esta acontecendo, como se o mundo virtual fosse mais real que as ruas. Da uma grande inveja de uns japoneses ou chineses por aqui que nao desgrudam de seus palms. As vezes, fico paralisada, andando de um lado para outro. Ai, adio providencias, ou demoro dias para pensar em outra saida. Ainda preciso refletir mais sobre isso, enquanto isso, estou providenciando um notebook e uma grande bag para carregar ele para la e para ca. Muito antes do computador, percebi que tambem era addicted de celular, mas, pelo menos isso, consegui resolver com rapidez. Com isso, me livrei das cabines sujas que cheiram a urina dos telefones publicos, sem falar que engolem nossas preciosas moedas. E lembrar que elas parecem tao bonitinhas nos cartoes postais... See you.  

(desculpem a falta dos acentos)

 



Escrito por Patrícia Diguê às 10h25
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A policia jogou minha cerveja fora

Ate tentei segurar, espantada com a braveza com que o policial olhava para mim. Mas ele arrancou a garrafa de Heineken da minha mao (ainda pela metade/3.50 pounds, multipliquem por 3,80) e jogou tudo no asfalto. Explicou que eu nao poderia beber nas ruas e que poderia ser multada em nao lembro quanto. Estava no meu primeiro dia de passeio por aqui, um lindo domingo de sol. Uma esquina da Trafalgar Square, aquela praca onde ocorrem as manifestacoes publicas e onde existe um marco alusivo a Segunda Guerra Mundial. Eu e alguns amigos decidimos comprar as garrafas em um off licensee (mercearias autorizadas a vender bebida alcoolica) em vez de parar em algum pub, assim economizariamos dinheiro e teriamos mais tempo para as andancas. Apesar de ter visto um monte de gente fazendo o mesmo, acho que o policial considerou um insulto eu com aquela garrafa aberta bem na frente dele ao mesmo tempo que tirava fotos. Santa inocencia. Mas o pessoal ja estava com algumas garrafas, ai as esconderam em um saco plastico, atravessamos a ponte do Big Beng, sobre o Tamisa, e ficamos la, sentados bem na frente dele, vendo o dia acabar, ouvindo suas badaladas e pensando o quanto alguns momentos sao magicos e preciosos, apesar da contravencao em terras londrinas.   

Escrito por Patrícia Diguê às 10h11
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O correspondente e as comandas

Ha mais ou menos um mes, conheci em SP um correspondente da Reuters. E ingles, ja atuou no Japao e nos EUA e estava no Brasil havia duas semanas apenas. A redacao e no Rio, mas tinha ido a SP para encontrar um colega da France Presse. Apesar do rapido contato, pude conversar bastante e, em duas ocasioes, percebi o quanto ele se atrapalhava com a pratica dos estabelecimentos em darem comandas aos clientes, aqueles papeis, cartoes ou placas de plastico que registram o que consumimos. Nunca havia refletido sobre elas. Alias, sempre as achei praticas e eficientes em seu objetivo de registrar os gastos das pessoas. Na saida de um bar, estava com a sua comanda (um cartao) e a do amigo, mas se esqueceu de pagar a do amigo. Alertado pelo seguranca da porta, voltou sem graca la para dentro a fim de acertar a conta. A outra ocasiao foi em uma padaria. Nao sabia para que servia aquela placa em suas maos e eu tive que ajuda-lo a pedir um suco de laranja. Antes de sair, quis deixar o dinheiro do suco na mesa. Mas expliquei que ele nao poderia sair sem a placa e deveria pagar seu consumo na saida. Quando me questionou o porque disso, me atrapalhei um pouco para explicar. Disse que, do contrario, muitas pessoas poderiam sair sem pagar. Ele continou estranhando. Preferi nao explicar mais - acho que certas coisas so mesmo nos que nascemos aqui entendemos, ou nos acostumamos e deixamos de questionar. Nos primeiros dias aqui em Londres, fui a um supermercado, do tipo express, onde ha mais alimentos prontos e tambem um caixa onde voce mesmo passa suas compras. A pessoa vai passando os codigos de barras das mercadorias, depois paga o total que a maquina mostra inserindo notas ou moedas e recebendo o troco. Claro que devem haver espertinhos, mas nao que eu tenha presenciado. Nesta hora, me lembrei do Stuart e do quanto ele ainda teria que aprender sobre o nosso Pais, assim como eu sobre o dele.

(desculpem a falta dos acentos)

 

 

 



Escrito por Patrícia Diguê às 09h53
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Keep running

(Desculpem a falta dos acentos)

Uma das razoes da minha paixao pela corrida e o fato deste esporte ser o mais democratico de todos. Nao me lembro de outro mais barato, flexivel e de resultados como a corrida. Para praticar, basta um tenis, forca de vontade e sair por ai. Isso foi o que fiz hoje na fria Londres. Acordei cedo, encarei o frio e fui perder a junk food ingerida em meus primeiros dias neste lugar ainda estranho. Que roupa usar foi o primeiro desafio. Nao podia ser nada pesado, mas tambem nem tao leve que me fizesse congelar. Assim, coloquei meia calca grossa, mais aquela calca tipo bailarina, top, camiseta esportiva de manga longa e mais outra com capuz por cima. Adicionei o bone e o relogio e enchi os labios de protetor labial. Nunca em minha "longa carreira" de tres anos de corredora precisei de tanta roupa para algo tao simples. Segundo desafio: correr para onde? Perguntei para uma senhorinha da casa (uma filipina de 82 anos que mora em Londres ha uns 24) se havia algum parque na redondeza. Apos muita dificuldade para entender seu ingles cheio de sotaque e arrastado devido a falta dos dentes, compreendi que devia seguir a rua reto e virar a direita, onde estaria o Tottenham Park. Legal. Caminhei sob o solzinho fraco entre nuvens da manha para me esquentar e depois sai trotando pelo Tottenham, uma grande area verde, de protecao ambiental. Estava vazio aquela hora, com apenas um ou outro passeando com cachorros, um senhor lendo com uma crianca em um banco, um ciclista passeando. Ao longo de um canal de navegacao pude ver passaros (quatis e garcas) e ate um casal de coelhos marrons que nem se importaram com minha passagem. Explorar a cidade tambem correndo sera uma experiencia unica. Quem sabe nao realizo aqui o sonho de correr uma maratona. Sera em abril de 2009. Ate la ha tempo, so preciso continuar tendo folego e keep running, como manda a propaganda da Nike.



Escrito por Patrícia Diguê às 09h29
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Regras sao regras

A parte minhas trapalhadas para conseguir andar de onibus por aqui (aqueles vermelhos de dois andares que se veem nos filmes), algumas importantes observacoes precisam ser feitas sobre o transporte publico londrino. Principalmente neste momento em que se discutem alternativas para o transito caotico de SP, que esta ao ponto de travar. Acho que demoraremos para alcancar tal nivel de organizacao, mas vale o registro das minhas primeiras impressoes. Vamos la. Os motoristas nunca (NUNCA) param fora dos pontos. Vi varias pessoas fazendo cooper pra alcancar o proximo ponto e pegar seu onibus. Ele nem abre a porta novamente depois que esta ja abriu e fechou uma vez. E ha pontos especificos para cada linha, sendo que uma linha NUNCA para no ponto errado - voce tem que achar o certo. Outra coisa interessantissima: nao ha roletas ou controle, apenas um dispositivo eletronico onde voce passa seu cartao. Se voce quiser, pode entrar e sair sem pagar. Porem, existem uns agentes de fiscalizacao que geralmente aparecem. Se ele checar seu cartao e constatar que nao passou, e multado imediatamente em 20 libras. Depois de ter entrado e saido de varios completamente perdida ontem, lembrei que em um deles nao paguei, mas tive sorte de nao pagar mais este mico. Para encerrar o dia, passei um pouco de medo no onibus de volta. Um rapaz mal encarado ficou p. da vida porque o motorista nao abriu a porta para ele em um ponto. Correu, alcancou o coletivo e entrou sem passar o cartao por pirraca. O motorista nao gostou do desaforo, desligou o onibus e pediu para ele sair, senao chamaria a policia. E nao arredou o pe. Tomei um susto, nem saberia para onde correr caso a situacao ficasse mais critica, me mantive paralisada. Ate que, felizmente, o chato incoveniente saiu. Senti-me em Sao Paulo e achei que logo logo iam rolar uns tiros, mas dizem que estas coisas sao mais dificeis por aqui. A gente ve policia por todo canto. Mais alguns detalhes: dentro deles e quentinho; um sistema eletronico vai informando os pontos; e pode entrar carrinho de bebe e cachorro (que, alias, ficou lambendo meu pe, urgh!). Ate mais.   

Escrito por Patrícia Diguê às 08h45
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